terça-feira, 14 de junho de 2016

Ninjutsu



Mochizuki Chiyome Kunoichi (Ninja Mulher)


Mochizuki Chiyome é possivelmente a mais famosa kunoichi (ninja mulher) de todas. Ela era uma mulher nobre, a esposa do samurai guerreiro Mochizuki Nobumasa, e a lenda diz que era originalmente do clã Koga. Em algum momento durante o século 16, seu marido foi para a guerra e ela foi deixada aos cuidados do tio dele, o famoso senhor de terras Takeda Shingen.
Shingen se aproximou de Chiyome e deu-lhe a missão de recrutar mulheres e treiná-las para uma rede de agentes de espionagem. Chiyome criou uma sede na vila Nazu na região de Shinshu e recrutou até 300 jovens mulheres, em sua maioria órfãs, ex-prostitutas e vítimas de guerra, e, sob o pretexto de gerenciar um orfanato, Chiyome as treinou para fazer parte de sua rede de espionagem. Elas usavam disfarces como vestes de miko (sacerdotisa xintoísta), prostituta ou gueixa para fins de espionagem ou assassinato, e serviram Shingen por anos até a sua morte misteriosa, em 1573. 

Hattori Hanzo

Hattori Hanzo é provavelmente o ninja mais famoso de todos. Ele era um vassalo e samurai a serviço de Tokugawa Ieyasu, e foi uma importante força motriz que levou Ieyasu a governar todo o Japão.
Crescendo em Inga, Hanzo distinguiu-se em batalhas por toda a década de 1570. Seu ato mais famoso ocorreu em 1582, quando Oda Nobunaga foi morto após a traição por um de seus vassalos, Akechi Mitsuhide, e Ieyasu foi subitamente empurrado para uma posição altamente perigosa na proximidade de Mitsuhide. Para facilitar a passagem de Ieyasu através da província de Iga para a segurança da província de Mikawa, Hanzo reuniu seus companheiros ninjas de Iga, juntamente com seus antigos rivais, o clã Koga, para escoltar Ieyasu a Mikawa. Há também algumas fontes que dizem que Hanzo ajudou a resgatar a família capturada de Ieyasu.
Um grande lutador de habilidade com lanças e mestre estrategista, Hanzo serviu lealmente Ieyasu por toda a sua vida. Sob sua liderança, os ninjas de Iga tornaram-se guardas do palácio do xogunato (ditadura feudal japonesa) de Ieyasu no castelo de Edo. Depois da morte de Hanzo em 1596, o seu sucessor pegou o nome “Hattori Hanzo” para si, uma prática que se tornou uma tradição dos líderes de Iga e perpetuou um mito que Hanzo era imortal. 
O lendário Ninja do Japão Hattori Hanzo aparece em incontáveis filmes e romances, vestido de preto, voando pelo céu, nadando por baixo d’agua, construindo um túnel sob o solo e desaparecendo na escuridão. Ironicamente, o nome desse ninja na vida real raramente é encontrado seja em livros ou enciclopédias. Aliás, a vida de Hanzo sempre foi confusa e de difícil interpretação, por se tratar de um mestre na arte da invisibilidade.
De acordo com os livros de história moderna do Japão eles tratam Hattori Hanzo como um samurai de IGA, por não admitirem que um dos seus maiores expoentes seja na verdade um grande ninja.
Hattori Hanzo era um membro da família Hattori e eles eram líderes da comunidade Ninja da província de IGA no Japão feudal seu pai foi Yasunaga e serviu em Matsudaira Kiyoyasu.
Acredita-se que pode ter havido até quatro ninja que receberam o nome Hattori Hanzo. O ninja que fez famosa a identidade de Hattori Hanzo foi nomeado Masanari e iniciou o seu treinamento no Monte Kurama ao norte de Kyoto com oito anos de idade e passou a ser mestre aos dezoito anos.
A região de Iga-Koga eram pequenas montanhas rodeadas por bacias no centro do bairro japonês de Kinki. Embora fossem inacessíveis absorveram ao longo dos anos a cultura de Kyoto, Osaka e Nagoya por serem locais próximos.
Por cerca de 100 anos na Guerra de Onin através do período dos estados guerreiros (meados do século XV até meados do século XVI), Iga e Koga permaneceram invictas durante as guerras externas. Por permanecerem em montanhas, sua localização sempre desaminava seus invasores de possíveis ataques, porém a região não era isenta de violência. Seus moradores nunca tentaram expandir o domínio da região para além das bacias e em cada aldeia havia um castelo com armas em suas paredes para evitar colisões. Na lenda, Hattori Hanzo é conhecido como um guerreiro ninja de condição sobre-humana. Diziam que ele poderia desaparecer e aparecer onde desejasse e que era mestre na arte de usar cordas e capturava seus inimigos por trás sorrateiramente. Conta que Hattori Hanzo também possui poderes paranormais e que conseguia através da clarividência descobrir os planos do exército inimigo antes de ser atacado.
A mais conhecida história de Hanzo ocorre juntamente com Tokugawa Ieyasu que na época era o general Shogun do Japão. Ieyasu gostava de artes marciais, e era um franco-atirador, um mestre espadachim e excelente nadador. Certo dia quando morava em Mikawa, ele agarrou Hattori Hanzo pelo pescoço e o arrastou para um rio e pulou na água. Enquanto Hanzo calmamente segurava sua respiração, Ieyasu teve que retornar a superfície ofegando por ar. Ele se arrastou para margem, pálido e completamente exausto e perguntou para Hanzo quanto tempo um ninja conseguia permanecer por baixo d'água. - Um ou dois dias ou o tempo que o senhor solicitar, disse Hanzo.  Assim mergulhou e permaneceu imerso. Muitas horas se passaram e sem sinal de Hanzo, Tokugawa Ieyasu começou a ficar preocupado...
Começou a gritar pelo nome de Hanzo e repentinamente ele subiu a superfície sorridente e sem estar ofegante e entregou para Ieyasu sua espada curta e o general soltou um grito de surpresa.
Hattori, disse que não havia permanecido em tempo integral na água e que depois de ter mergulhado nadou até a terra e se escondeu por trás de uma rocha e dormiu um pouco. Quando foi chamado mergulhou novamente na água e depois emergiu para surpresa do general. – “Peço desculpas por tomar a sua espada curta, Senhor, mas este é o ninjutsu”. Ieyasu ficou profundamente impressionado.
Posteriormente, Ieyasu Tokugawa criou um governo central que durou quase 300 anos que seguiu por quinze gerações da sua família. Ele não poderia ter feito isso, sem ajuda de homens talentosos e habilidosos e utilizou pessoas de diversas origens para coletar o máximo de informação e recebeu como apoio o guerreiro Hattori Hanzo.
Durante o período dos estados guerreiros, os ninja foram os agentes preferidos para demolição e espionagem e muitos daimyo os utilizavam os seus serviços.
A história da relação entre Ieyasu e os ninja de IGA é bem conhecida no Japão.  Acompanhando pelos Ninja que faziam sua segurança, Ieyasu foi informado da traição de Nobunaga no templo Honno-ji. Hattori Hanzo propôs ao seu senhor que entraria em IGA e retornaria com ajuda dos ninja de IGA e KOGA, e depois atacariam o guerreiro Nobunaga que o traiu.
Ieyasu aceitou a sua proposta e em seguida, Hanzo visitou um famoso ninja (Tora Shiro - KOGA) que viveu na fronteira de IGA e KOGA e solicitou sua ajuda. Para chamar a atenção de Ieyasu, ele disparou um foguete no céu como um sinal para que pudessem se reunir na passagem Otogi na fronteira de IGA e KOGA. Quando Ieyasu passou pela fronteira haviam 300 ninja reunidos para servi-lo. Guiado pelos grupos, Ieyasu seguiu para Mikawa para negociações de segurança em um local de difícil acesso durante a noite. Além disso, Hanzo recebeu relatórios sobre as repercussões do ataque contra Honno-ji e os movimentos dos vários daimyo e permaneceu ao seu lado. 
Duas centenas de ninjas que haviam servido como guardas foram mantidos por Ieyasu. Eles foram organizados em grupos de IGA e liderados por Hanzo. Já os grupos de ninja de KOGA durante a batalha foram designados fazer a defesa do portão da frente do castelo.
Por todos os seus méritos, Hattori Hanzo foi designado comandante em Hasenshi. Morreu em batalha em 04 de dezembro de 1596, quando comandava suas tropas contra os ninja de Fuma Ryu em Kanagawa. Suas tropas foram surpreendidas pela técnica de mergulho do Fuma Ryu Ninja, que atearam fogo ao óleo que espalharam ao redor dos navios de Hanzo e todos morreram queimados.
Masanari Hanzo morreu em 1590 aos cinquenta e cinco anos. Ele foi sucedido por seu filho de dezoito anos de idade, cujo nome também era Iwami No Kami Masanari, embora escrito com caracteres chineses.
No ano de 1653, Hattori Hanzo Yasunaga escreveu um tratado em 04 volumes sobre o ninjutsu denominado Ninpiden, sendo um legado para os descentes das linhas ninja até os dias atuais. Em Tóquio no Templo Seinenji descansa a tumba de Hattori Hanzo e no seu interior podemos ver a sua lança original.

Histórias e Lendas

Fujibayashi Nagato 

Segundo a lenda, Fujibayashi Nagato foi um dos três maiores jonin da Escola Iga, junto com Momochi Sandayu e Hattori Hanzo. Ele também foi “colíder” dos ninjas de Iga, junto com Momochi Sandayu. Fora isso, não se sabe muito sobre ele.
Em 1581, Oda Nobunaga lançou uma invasão da província de Iga conhecida como Guerra de Tensho Iga, que dizimou os clãs ninjas de Iga e Koga. Os sobreviventes ficaram sob o serviço de Tokugawa Ieyasu, e Nagato foi morto na invasão.
Apesar do quão pouco sabemos sobre sua vida, no entanto, Nagato deixou para trás um legado importante: seus descendentes eventualmente compilaram o conhecimento ninjutsu que levou a criação do Bansenshukai. O Bansenshukai é uma compilação de vários volumes dos “segredos” e técnicas ninjas, e grande parte da informação que temos sobre eles vêm desta compilação.

Tomo Sukesada

Tomo Sukesada foi um jonin (master ninja) da Escola Koga e o chefe da tradição Tomo Ryu.
Em 1560, o clã Imagawa perdeu a batalha de Okehazama para Oda Nobunaga, para quem Tokugawa Ieyasu estava trabalhando. Não disposto a desistir, no entanto, o clã Imagawa tinha se escondido no castelo Kaminogou, numa localização altamente estratégica em um precipício sob o comando de Udono Nagamochi, um general Imagawa. Tomar o castelo ia ser difícil para Ieyasu, especialmente porque o clã Imagawa tinha feito sua família de refém. Assim, Ieyasu contratou 80 ninjas Koga liderados por Sukesada para infiltrar o castelo, botar as suas torres em chamas, e matar 200 pessoas, incluindo o general. Este incidente é narrado em detalhes no Mikawa Go Fudoki, registros antigos japoneses.
O clã Fuma é único entre os ninjas, já que se distingue por ter se desenvolvido de forma independente dos Iga e Koga, a serviço do clã Hojo em Odawara. O jonin Fuma Kotaro foi líder da quinta geração do clã e o mais famoso deles. Naquela época, eles eram cerca de 200 trabalhando como bandidos, piratas e ladrões em serviço dos Hojo.
Em 1580, o filho de Takeda Shigen Katsuyori atacou os Hojo no castelo Odawara. Durante a noite, Kotaro e seus homens secretamente se infiltraram no acampamento Takeda e causaram tanta perturbação e caos que os homens de Takeda começaram a matar uns aos outros na confusão. Em 1590, os Hojo foram derrotados por Toyotomi Hideyoshi, e os Fuma foram reduzidos a bandidos comuns.
Uma popular (embora provavelmente falsa) história é que, em 1596, Kotaro assassinou Hattori Hanzo, mas foi traído pelo ex-ninja Takeda Kosaka Jinnai e, finalmente, decapitado por ordem de Tokugawa Ieyasu em 1603.

Kato Danzo

De muitas maneiras, Kato Danzo foi o ninja que popularizou a noção de que estes tinham poderes sobrenaturais. Danzo era um ilusionista que muitos acreditavam ser um verdadeiro feiticeiro. Seus truques incluíam engolir um touro na frente de multidões, fazer com que sementes germinassem e florescessem no instante em que eram lançadas e até mesmo voar, dando-lhe o apelido “Kato voador”.
Hoje, os pesquisadores acreditam que ele deve ter sido um mestre da hipnose, mesmo que não haja nada para verificar isso. De qualquer forma, a reputação de Kato eventualmente chamou a atenção de Uesugi Kenshin, que decidiu testar as habilidades do ninja.
Ele desafiou Danzo a roubar uma naginata valiosa (espécie de lança) de um de seus vassalos, Naoe Kanetsugu. Não só Danzo infiltrou com sucesso o castelo fortemente vigiado e recuperou a espada, como também conquistou uma serva. Impressionado, Kenshin trouxe Danzo para seu serviço, mas ele se tornou indesejável, seja porque Kanetsugu estava conspirando contra ele ou porque Kenshin tinha passado a desconfiar dele. Em última análise, Danzo desertou para o rival de Kenshin, Takeda Shingen, mas isto saiu caro para ele quando Shingen suspeitou de que fosse um agente duplo e ordenou que ele fosse morto. Danzo foi decapitado em 1569.